domingo, 8 de fevereiro de 2009

Não sei porque é que leio o 31 da Armada - na verdade discordo com 90% do que por lá se diz (e não gostava nada da revista Atlântico, de onde vieram muitos dos participantes). No entanto não há dia em que não espreite. Malditos.

De batatas fritas está o inferno cheio

Há uma data de coisas que não se percebem bem no mundo. Mas, pronto, essa também é a piada da coisa, não é?
Mas convenhamos, às vezes as circunstâncias apresentam-nos cada pessoa mais avariada, que eu desconfio do rumo da humanidade. É a isto que estamos entregues??
Recuando um pouco. Há uma altura em que achamos que os nossos pais são perfeitos, os mais fortes, os mais inteligentes e que estão sempre certos. Quando descobrimos que são pessoas normais, com podres, com falhas, com dúvidas, com falta de sensibilidade, o mundo é uma grande desilusão. Esse é geralmente o primeiro grande trambolhão da vida de uma pessoa mais ou menos normal.
A partir daí é sempre em frente. Há os amigos que perdem o juízo (ou nós é que o ganhamos), os colegas da faculdade que partilham a linha entre a genialidade e a loucura, os patrões com pinta surfer mas aparente falta de sentimentos e bom senso, os colegas de trabalho com humores tão instáveis que roçam casos clínicos. E no entanto foi um par de horas com um estranho que me fez temer pela sociedade. Porque aos outros doidos já estou eu habituada. Este assustou-me porque é uma pessoa real, com idade suficiente para se perceber que não vai mudar, com família, emprego, algum poder. Mandou bitates sobre meio mundo, falou dos jornais como se fossem batatas fritas, traçou-lhes uma estratégia de marketing de dar dores de cabeça. Falou, falou, falou. Deu sentenças. Quem são os melhores, os piores, os "potenciais". Conhece-os a todos, diz ele. É como se fosse o Big Brother. (delusional...). Disse tanta coisa que não tive capacidade de digerir tudo. Só mais tarde fui recordando. E tive pena de não lhe perguntar se ele nunca pensa na "bigger picture". Se no meio da estratégia das batatas fritas, nunca pensou que os jornais não se podem vender sem ética. Se nunca pensou que raio de país teríamos se todos pensassem como ele.
No dia seguinte recebi um mail dele. Era um elogio. Fiquei mal disposta.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Egoísmo

"Contam-se em todo o mundo cerca de 11,5 milhões de refugiados, que abandonaram os seus países para fugir a perseguições. Destes, seis milhões vivem em campos há mais de cinco anos. O número de crianças que nunca viveram sem estarem rodeadas de arame farpado não pára de aumentar. É óbvio que estas estadas prolongadas em campos destroem a vida das pessoas. No entanto, poucos países estão dispostos a acolhê-las. Neste momento, menos de 20 países, essencialmente ocidentais, aceitam refugiados, no âmbito do programa de reinstalação de pessaos deslocadas que vivem em campos no estrangeiro."

in Asahi Shimbun (via Courrier Internacional)
Triste.

O Rapaz do Pijama às Riscas

Há muito, muito tempo que não via um filme que me deixasse assim, tão profundamente emocionada. Esqueçam o Benjamin Button. A muito custo contive um choro compulsivo, estilo soluçar bem alto.
Não vou dar spoilers porque acho que estragam mesmo o filme, até para quem não se importa de saber os segredos da história. Nem sequer tentem saber.
O que se percebe pelo trailer chega, um rapazinho de oito anos filho de um militar das SS cria uma amizade com um miúdo da mesma idade de um campo de concentração. Apaguem já esse desfiar de acontecimentos à Hollywood, não acontece nada de excepcional, não há planetas que se alinham para que os dois se conheçam. O filme é muito simples. Eu diria, aliás, que é terrivelmente simples. Porque esperamos que tantas coisas aconteçam de outra forma, "como nos filmes" e não acontecem.
Apesar do encanto dos olhos azuis de Bruno, este filme é muitíssimo duro. Depois de limpar os olhos quatro vezes (e eu nunca choro no cinema), saí da sala, atravessei a rua e continuava a suster as lágrimas. O Rapaz do Pijama às Riscas fez-me doer a humanidade. Não pelas personagens, mas pela brutalidade do que se fez/ faz. Faz doer o mundo.
E por mais explicações históricas e sociais que me dêem, volto a dizer aqui o que disse há umas horas quando saí cabisbaixa do cinema: "Não percebo, não percebo, não percebo".

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

A minha Lisboa


Às vezes acho que perdi o juízo - e não o digo de forma metafórica. Penso mesmo "se calhar devia consultar um médico".

(Depois suspiro, porque dizem que isso é sinal de sanidade)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O fim dos gratuitos é bom?

Esta semana Pedro Mexia disse no Governo Sombra, a propósito do encerramento do Metro Espanha:

"É a primeira boa notícia da crise. (...) De repente toda a gente dizia que os jornais gratuitos é que eram o futuro, até já havia um escalonamento muito engraçado que dividia os jornais gratuitos entre jornais populares e de referência - um gratuito de referência, supostamente há um em Portugal, que é um conceito muito interessante - e o encerramento do Metro em Madrid, e o previsto encerramento dos outro quatro gratuitos espanhóis, (...) eu digo que é muitíssimo positivo, neste sentido: de que se pode fazer um jornal com cinco pessoas, sentadas a tirar coisas da net, textos de 22 caracteres e coisas do género - acho que a haver alguém que seja vítima desta crise na comunicação social seja essa forma de subjornalismo para a qual não há qualquer justificação".

(isto foi transcrito da gravação da rádio, por isso é assim em discurso oral)

Foi uma espécie de murro no estômago, confesso que custou ouvir. Até me irritou. "Lá está ele", pensei, "com a mania". E depois decidi ser totalmente honesta comigo mesma e percebi que esta era uma frase que eu poderia ter dito há um ano atrás.
Hoje já não sou capaz.