segunda-feira, 28 de abril de 2008

"Um teste genético para esquecer"?

Em seguimento de uma conversa de café:

"Graças ao Alzheimer's Mirror, um teste genético vendido por 399 dólares [253 euros] e lançado em Março de 2008 pela empresa americana Smart Genetics, pessoas saudáveis podem saber se têm especial propensão para desenvolver a doença de Alzheimer.(...) Certos investigadores manifestam, porém, reservas quanto à comercialização do teste. Anunciar a qualquer um que pode vir a ser atingido por uma doença para a qual não há prevenção nem tratamento, e que conduz invariavelmente à morte, pode ter consequências psicológicas desastrosas. (...)Henry Greely, professor de Direito da Universidade Stanford, na Califórnia, co-presidente de um grupo de trabalho sobre testes genéticos à doença de Alzheimer (...) não considera que haja interesse para essas pessoas em conhecer o seu perfil da APOE*. Allen Roses, da Universidade de Duke, que evidenciou a relação entre a APOE e o Alzheimer, é da mesma opinião. «É inútil, dado que a medicina nada pode contra esta doença», afirma".

*gene que codifica a apolipoproteína E, com papel preponderante na doença de Alzheimer

Jennifer Couzin, original Science, tradução Courrier Internacional



Tinha a ideia que era possível adiar os sintomas da doença, através de tratamento prévio, mas o artigo não menciona nada disso. A única coisa que diz é que para algumas pessoas pode ser benéfico saber, porque podem tomar decisões financeiras ou subscrever um seguro de saúde antecipadamente.
Mas tirando estes pormenores... quereriam saber?

sexta-feira, 25 de abril de 2008

25 de Abril. Sempre?

Ele disse um poema com voz de lágrimas. Os nossos corações pequeninos de o ouvir. Ele não percebe que não queremos ouvir despedidas nem lamentos. Nós gostamos tanto dele que não cabe no peito, queremo-lo feliz. Sorridente, como sempre foi.
Olho para o lado na altura do bichanar sobre como está enfraquecido. Uma pequena folha murcha ao vento. Ele não acredita que a força está mesmo no interior. É verdade, avô, acredita. Somos jovens no coração, mesmo que custe descer as escadas, mesmo que as paisagens já não sejam nítidas.
O poema, de Camilo Castelo Branco, dizia assim:

Amigos, cento e dez, ou talvez mais,
Eu já contei. Vaidades que sentia:
Supus que sobre a Terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais!

Amigos, cento e dez, tão serviçais,
Tão zelosos das leis da cortesia,
Que já farto de os ver me escapulia
Às suas curvaturas vertebrais.

Um dia adoeci profundamente:
Ceguei. Dos cento e dez houve um somente
Que não desfez os laços quase rotos.

– Que vamos nós – diziam – lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode ver!...
– Que cento e nove impávidos marotos.

O que eu lhe quis dizer é que o poeta podia ter amigos desses, mas ele não. E que naquela mesa, com os olhos ou sem, todos vão permanecer. Porque ao contrário do que se costuma dizer, o amor não "demora uma vida para se ganhar, e um minuto a perder", isso são balelas. O amor a sério é coisa que bate e fica. Permanece. E ele não sabe, mas nós não fazemos as festas de anos só para ele. Fazemo-las para nós também, para apurar este sentido de família.
Gostava de lhe dizer que é o elo. Somos todos rezingões à nossa maneira, mas ele é a alma da mesa, das histórias, da vida. É a memória e o presente.
Ele é o nosso 25 de Abril. A nossa democracia familiar.
Ele não pode dizer: "Um dia adoeci profundamente: /Ceguei. Dos cento e dez houve um somente". Porque nós, avô, somos seis.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

E se Alberto João Jardim fosse primeiro-ministro?

A discussão está instalada: quem será o próximo líder do PSD? Tenho seguido o assunto, não com especial entusiasmo porque não sou do PSD, mas tendo em conta que a pessoa escolhida vai estar a concorrer para o governo daqui a um ano. Vão surgindo candidatos (quando cheira a poder saem todos do buraco), uns já oficiais, outros ainda em boato.
Em zapping hoje de manhã passei pela SIC Notícias, onde estava a dar o Opinião Pública (aquele programa em que as pessoas ligam e dão a sua opinião), e vi que a convidada era a Raquel Abecassis, da Renascença, por isso fiquei a ver. A pergunta do dia era "Concorda com a candidatura de Pedro Santana Lopes?", mas naqueles minutos em que fiquei a ouvir, só se falou do Alberto João Jardim. As pessoas diziam que ele é que seria um bom primeiro-ministro, a Raquel Abecassis comentava que se ele se candidatasse (o que não aconteceu oficialmente, apesar da pressão de uma facção do partido) teria grandes hipóteses de ganhar a presidência do partido.

HEIN????
Eu não queria acreditar naquela discussão (em que o Santana Lopes não foi mais que uma desculpa para falar do Jardim). Quer vergonha.
Abri a gaveta da minha secretária e tirei de lá um recorte de jornal com dois anos, amachucado, que guardei para uma altura como esta. Não me venham cá dizer "ah mas a madeira é um espectáculo", "ah mas ele fez obra", "ah, mas toda a gente gosta dele lá". Vão plantar batatas.

«No tom que se lhe conhece há três décadas, Alberto João Jardim está preocupado com a destruição dos "valores da sociedade portuguesa", temendo que se venha a "assistir a casamentos de homossexuais". No ritual do Chão da Lagoa, que justifica o aportuguesar da expressão silly season (estação tola), o madeirense que já se fantasiou de Zulu pareceu querer dizer que o seu arquipélago é um sítio de gente sem "pecado". Ali nunca houve - pelo menos com o conhecimento do Governo Regional - ninguém com a orientação sexual de Oscar Wilde ou Adriana Calcanhoto.»

in Diário de Notícias (Agosto 2006)


«O presidente do Governo Regional da Madeira manifestou-se, domingo à noite, contra a entrada de imigrantes na ilha da madeira. No encerramento das festas "24 horas a bailar", em Santana, Alberto João Jardim, criticou a entrada em Portugal de imigrantes chineses, indianos e dos países da Europa de Leste. "Portugal já está sujeito à concorrência de países fora da Europa, os chineses estão a entrar por aí dentro, os indianos a entrar por aí dentro e os países de leste a fazer concorrência a Portugal... Está-me a fazer sinal aí porque? Que estão chineses aí? É mesmo bom que eles vejam porque não os quero aqui", disse o presidente do Governo Regional da Madeira.»

in TSF (Julho 2005)


Faço minhas as palavras de Miguel Sousa Tavares na última crónica no Expresso:
«Eu faço parte de um grupo, só aparentemente minoritário, dos que não acham o dr. Alberto João Jardim "engraçadíssimo". Não lhe acho mesmo piada nenhuma. Portugal já não é, felizmente, aquela tristíssima gente que vimos nas reportagens televisivas desta semana à espera da comitiva dos drs. Cavaco e Jardim. Aquilo é o Portugal no seu pior - inculto, ignaro, subserviente perante o poder, mendicante, reverente, alimentando a 'sopas de cavalo cansado' e vendendo o voto por um chafariz.»

Não é que ache que as pessoas na Madeira são incultas, nem acho que era isso que MST quis dizer. É que me irrita aquela coisa de "a Madeira é tão desenvolvida", quando me parece que a democracia lá não tem valor, e AJJ quer é manter o seu "povo simples e humilde", estilo "pobrezinhos mas lavadinhos". E isso para mim, é Portugal no seu pior.

Já imaginaram o que seria ter esta pessoa como chefe do governo? Imaginam a posição dele sobre qualquer coisa que não seja obras públicas? E política social? E cultura? E política externa (oh jesus que vergonha seria numa cimeira, num reunião da comissão europeia...)?
E a liberdade de expressão? Recordo que o único jornal do país que é estatizado é o da Madeira, onde os jornalistas piam baixinho quando se trata de política.

Não acredito que cheguemos a este ponto (mas também não achei que o Salazar fosse eleito como o maior português), mas aviso já, se o Alberto João Jardim chegar a primeiro-ministro, eu emigro.


(P.S. Não sei porque é que a formatação do texto muda. Sim, é bastante irritante).

domingo, 20 de abril de 2008

Sugestão:

Quem devia mesmo ser convidado a moderar um debate sobre o acordo ortográfico era o Joe Berardo.

...

Não?

A psicologia do Lobo

Eles dizem sempre "um jogo?", com o sobrolho franzido e cara de enjoo. "Sim, mas é muito giro". E é vê-los arrastados para a mesa, palma da mão estendida no tampo, contrariados. Há terceira jogada a expressão facial começa a mudar, as intervenções saem mais exclamadas, começam a apontar o dedo aos adversários.
O jogo do Lobo é um exercício psicológico. Faz-nos discutir com pessoas conhecidas cinco minutos antes. Acusamo-las de morte, sim. Dizemos que são mentirosas, manipuladoras, lêmos-lhes os movimentos e os olhares. Mentimos também. Somos detectives e fugitivos. Ninguém sabe quem é quem.
E as pessoas revelam-se, a sério. Enrolam-se de vergonha, gritam ofendidas, calam-se de medo. As gargalhadas rolam quase até às lágrimas.

E por isso, não posso deixar de registar as três frases da noite de ontem:

«É o Luís! Quando escolheram o lobo ele fez 'Mmmmmmmmm', eu ouvi!!» Pedro, amigo da Fátima


«Eu não posso ser o lobo, acabei agora de ser mãe!» Marina


«Ok, eu confesso, o lobo sou eu» Margarida

quarta-feira, 16 de abril de 2008

"Isso não serve para nada!"

O curso "não serve para nada". O Erasmus "não serve para nada". O Mestrado "não serve para nada". Estudar "não serve para nada". Pensar "não serve para nada". "Fazer reportagens para quê? Isso só dá é trabalho".
Conversa puxa conversa, entre uma e outra garfada de massa. "Enriquecimento pessoal" é tanga.
Mastigo a pastilha mais depressa porque a conversa me irrita e não o quero demonstrar. "Isto pode parecer arrogante mas é verdade: Estão todos no desemprego agora e eu tenho trabalho". Sim, parece arrogante. Parece conversa de quem se orgulha da sua mediocridade. Estilo esperteza saloia. Em três segundos eu penso em dezenas de pessoas que não seriam quem são a pensar assim. "Isso depende dos teus objectivos" disse eu a tentar chegar a algum lado. Por detrás desta frase escondem-se tentativas de "se queres fazer mais que editar agências e escrever aquele bê-á-bá do dia-a-dia sem nada de novo trazer, sem uma nesga de sentido crítico, de criatividade, de aprofundamento, de raciocínio, então talvez tenhas que ser mais exigente que isso com a tua cabeça".
Porque quando me dizem "bem, foi o que deu para arranjar", eu compreendo. Aliás, eu solidarizo-me a 100%. Mas quando me dizem: acomoda-te e faz lá a tua vidinha que isso de querer ser bom é para os parvos. Aí, tenho vontade de sair pela porta e nunca mais voltar.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Frase do Dia

"Segunda-feira é dia de douradinhos"


Após um período de reflexão não resisti em perguntar o que significava a frase, já que estava a ser tão repetida e eu tinha a certeza que não se referia ao almoço. Quer dizer que à segunda há sempre uma publicidade muito grande aos douradinhos na página de entretenimento.
Certo.